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29 de dez. de 2011

Arcadismo

Em oposição aos exageros do Barroco, surge o Arcadismo que propunha uma literatura mais simples. Arcadismo deriva de Arcadia (região grega onde, segundo a mitologia, viviam os poetas e pastores). O marco inicial do Arcadismo no Brasil foi a publicação de “Obras” de Cláudio Manuel da Costa, em 1768 (século XVIII).
O Arcadismo, também conhecido como Setecentismo ou Neoclacissismo, é o movimento que compreende a produção literária brasileira na segunda metade do século XVIII. O nome faz referência à Arcádia, região do sul da Grécia que, por sua vez, foi nomeada em referência ao semideus Arcas (filho de Zeus e Calisto). Denota-se, logo de início, as referências à mitologia grega que perpassa o movimento. Profundas mudanças no contexto histórico mundial caracterizam o período, tais como a ascenção do Iluminismo, que pressupunha o racionalismo, o progresso e as ciências. Na América do Norte, ocorre a Independência dos Estados Unidos, em 1776, abrindo caminho para vários movimentos de independência ao longo de toda a América, como foi o caso do Brasil, que prsenciou inúmeras revoluções e inconfidências até a chegada da Família Real em 1808. O movimento tem características reformistas, pois seu intuito era o de dar novos ares às artes e ao ensino, aos hábitos e atitudes da época. A aristocracia em declínio viu sua riqueza esvair-se e dar lugar a uma nova organizaçõ econômica liderada pelo pensamento burguês. Ao passo que os textos produzidos no período convencionado de Quinhentismo sofreram influência direta de Portugal e aqueles produzidos durante o Barroco, da cultura espanhola, os do Arcadismo, por sua vez, foram influenciados pela cultura francesa devido aos acontecimentos movidos pela burguesia que sacudiram toda a Europa (e o mundo Ocidental).
No Brasil, o ano convencionado para o início do Arcadismo é 1768, quando houve a publicação de Obras, do poeta Claudio Manoel da Costa.
Arcádia Ultramarina Trata-se de uma sociedade literária fundada na cidade de Vila Rica (MG), influenciada pela Arcádia italiana (fundad em 1690) e cujos membros adotavam pseudônimos, isto é, nomes artísticos, de pastores cantados na poesia grega ou latina. Por isso que alguns dos principais nomes do Arcadismo brasileiro publicavam suas obras com nomes inspirados na mitologia grega e romana.
Cabe ressaltar, no entanto, que os membros da Arcádia eram todos burgueses e habitantes dos centros urbanos. Por isso a eles são atribuídos um fingimento poético, isto é, a simulação de sentimentos fictícios.
Alguns aspectos de relevante importância parecem emergir quando nos propomos a conhecer os fatores que demarcaram não só os estilos de época, mas todos os fatos relacionados ao campo da Literatura. Para tanto, em se tratando do movimento árcade, há um importante detalhe ao qual nos devemos ater – o fato de ele representar uma retomada aos modelos clássicos, cujos ideais se voltam para a representação de uma arte baseada na racionalidade, razão pela qual é também conhecido como Neoclassicismo. Por isso, os escritores árcades, inspirados na Arcádia grega – região mitológica habitada por pastores e deuses – fundaram várias academias literárias as quais se denominavam arcádias. Entretanto, ao nos referirmos ao panorama brasileiro, podemos dizer que aqui a situação se revelou de modo diferente, uma vez que, ao invés destas, a região que abrigou tais representantes foi Vila Rica (atualmente representada pela cidade de Ouro Preto). Outro detalhe de significativa importância é que em se tratando de arte, toda e qualquer manifestação que a representa possui uma estreita ligação com fatores advindos do contexto social. Assim, há que se ressaltar que o período em questão foi nitidamente revelado por questões de ordem econômica e social. Em termos econômicos, com o declínio da cana de açúcar, cultuada no nordeste brasileiro, ascendia assim a exploração das minas de ouro, que fez de Vila Rica não só o berço cultural do Arcadismo, mas também o polo econômico daquela época. Dessa forma, as pessoas que ali viviam, em especial os fazendeiros e donos de minas, sentiam-se indignados mediante as altas taxas de juros impostas pelo rei de Portugal, visto que a relação de dependência ainda se fazia presente. Com isso, em repúdio a tal situação, um grupo de intelectuais, recém-chegados de Coimbra (lugar onde concluíam seus estudos superiores) e norteados pelas ideias iluministas amplamente difundidas no continente europeu, ansiavam cada vez mais pela tão sonhada independência. Imbuídos nesse propósito, José da Silva Xavier, mais conhecido como Tiradentes, em companhia dos poetas Cláudio Manuel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga, Inácio de Alvarenga, entre outras importantes figuras da elite mineira, lideraram um movimento histórico de fundamental importância na história do país – a chamada Inconfidência Mineira (1789). Entretanto, tudo não passou de uma tentativa frustrada, pois Tiradentes, no intuito de livrar sua dívida com a Coroa portuguesa, relatou todas as intenções ao rei, obtendo a própria morte como forma de punição. Os outros participantes não ficaram à espreita, pois alguns foram enviados para o Rio de janeiro (então capital), e outros enviados para a África, condenados ao cárcere absoluto.

Características

Segundo o crítico Alfredo Bosi em seu livro História Concisa da Literatura Brasileira (São Paulo: editora Cultrix, 2006), houve dois momentos do Arcadismo no Brasil:

Poético

Retorno à tradição clássica com a utilização dos seus modelos, e valorização da natureza e da mitologia;

Ideológico

Influenciados pela filosofia presente no Iluminismo, que traduz a crítica da burguesia culta aos abusos da nobreza e do clero.ta aos abusos da nobreza e do clero.

As principais características do movimento são:

  • inspiração nos modelos clássicos greco-latinos e renascentistas como, por exemplo, em O Uraguai (gênero épico), em Marília de Dirceu (gênero lírico) e em Cartas Chilenas (gênero satírico);
  • influência da filosofia francesa;
  • mitologia pagã como elemento estético;
  • o bom selvagem, expressão do filósofo Jean-Jacques Rousseau, denota a pureza dos nativos da terra fazem menção à natureza e à busca pela vida simples, bucólica e pastoril;
  • tensão entre o burguês culto, da cidade, contra a aristocracia;
  • pastoralismo: poetas simples e humildes;
  • bucolismo: busca pelos valores da natureza;
  • nativismo: referências à terra e ao mundo natural;
  • tom confessional;
  • estado de espírito de espontaneidade dos sentimentos;
  • exaltação da pureza, da ingenuidade e da beleza;
  • uso de expressões em latim (associados ao estilo de vida simples e bucólico);
  • incorporação da figura indígena (com base nas ideias iluministas do filósofo Rousseau, o índio, convivendo em meio aos benefícios proporcionados pela natureza, representava um ser dotado de virtudes, uma vez abnegado dos preceitos ditados pela sociedade);
  • apego aos valores da terra (retomando o gosto pelos moldes clássicos, todas as criações árcades foram demarcadas pela simplicidade como forma de aludir à expressão latina Inutilia Truncat. Sendo assim, optaram pela vida campesina, bucólica, uma vez que tal preceito estava totalmente envolto pelo extremo sentimento nativista);
  • sátira política (característica evidenciada em “Cartas Chilenas”, cujo intento era criticar os governantes da época, dando enfoque especial à verdadeira submissão do país, vivendo ainda em plena condição de colônia).

Contexto

Autores & Obras

Cláudio Manoel da Costa (biografia)

“Obras” e “Vila Rica”

Tomás Antônio Gonzaga (biografia)

“Marília de Dirceu”

“Cartas Chilenas”

Basílio da Gama (biografia)

“O Uruguai”

Santa Rita Durão (biografia)

“Na obra desses poetas podemos reconhecer a presença não só de alguns elementos típicos da natureza brasileira como também certa tendência para a confissão de tramas sentimentais e amorosas, antecipando assim o estilo romântico que surgiria plenamente no século seguinte” (Douglas Tufano).

Termos em latim

Inutilia truncat: "cortar o inútil", referência aos excessos cometidos pelas obras do barroco. No arcadismo, os poetas primavam pela simplicidade;

Fugere urbem: "fugir da cidade", do escritor clássico Horácio;

Locus amoenus: "lugar ameno", um refúgio ameno em detrimento dos centros urbanos monárquicos;

Carpe diem: "aproveitar a vida", o pastor, ciente da efemeridade do tempo, convida sua amada a aproveitar o momento presente.