29 de dez. de 2011

Contexto

Em 1886, porém, a publicação de um importante manifesto – ‘O Século XX’, do teórico deste movimento, Jean Moréas – deu ao movimento seu nome definitivo – simbolismo.
Na França, esta escola está intimamente ligada às conseqüências da Revolução Francesa, que marcaram sua natureza sócio-cultural, e às teorias elaboradas pelo Romantismo e pelo Liberalismo.
Em Portugal o Simbolismo desembarcou no século XIX, com a publicação de “Oaristo”, de Eugênio de Castro, em 1890. Na França, o Simbolismo ganhou forças com a obra “As Flores do Mal”, do poeta Charles Baudelaire, em 1857.
De modo a compreendermos de maneira precisa como se sucederam os movimentos que perpassaram a história da arte literária, torna-se essencial enfatizarmos sobre o fato de que todos eles se materializaram como sendo fruto de entrecruzamento de correntes ideológicas ligadas a um contexto histórico-cultural, em que as manifestações artísticas se materializaram de forma a complementarem ou até mesmo contradizerem-se umas às outras. Enfatizando aqui mais um desses movimentos, ora representado pelo Simbolismo, podemos dizer que ele se manifestou como forma de repúdio às ideias preconizadas pelo instinto racional que subsidiaram tanto a estética realista quanto a parnasiana. Referindo-nos a esta racionalidade é importante sabermos que ela se encontrava condicionada ao avanço tecnológico oriundo da Revolução Industrial, em que o mundo se deparara com a invenção da luz elétrica, do automóvel, entre tantas outras inovações. Em meio a todo esse contexto surgiram também as doutrinas científicas e filosóficas, tais como o Determinismo, Evolucionismo, Positivismo e o Marxismo. Em terras brasileiras, a situação não era diferente, haja vista que a época marcava o fim do tráfico negreiro promulgado pela Abolição da Escravatura e, consequentemente, a mão de obra gerada pela atividade açucareira, conhecia seu declínio. O eixo econômico se voltava para uma outra atividade, a cafeeira, difundida nas regiões do Sudeste brasileiro. Tal ocasião marcou a migração significativa de europeus com o propósito de atender a tal demanda. A consequência de todos esses acontecimentos foi tão somente a evolução do capitalismo burguês, o que muito contribuiu para a estabilidade financeira das camadas sociais. Diante disso, o artista se viu insatisfeito ao extremo e, como sabemos, foi na arte que ele encontrou uma forma de desbravar todo esse sentimento. Surge assim um indivíduo voltado para si mesmo, egocêntrico, por sinal. Parece que temos a impressão de que essa característica nos faz lembrar de uma estética literária antes vivida, não é mesmo? Pois é verdade, intuímos corretamente. O movimento simbolista revela marcas preconizadas pelo Romantismo no que se refere à atitude egocêntrica como forma de escapismo perante as intempéries cotidianas. Pontuando apenas uma diferença contundente – a de que enquanto o artista romântico revelava seu subjetivismo apenas nas camadas mais superficiais do verdadeiro “eu” –, o representante simbolista procurava levar essa interiorização às últimas consequências. Apoiado nos pressupostos teóricos de Sigmund Freud, ele, numa espécie de transcendentalismo, extravasa todos os seus limites, chegando a atingir o próprio inconsciente.

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