29 de dez. de 2011

Características

Os simbolistas adotavam uma visão pessoal e individualista da realidade, sem se ater muito aos princípios estéticos então vigentes. Isto lhes valeu o pejorativo apelido de ‘decadentistas’.

Para os adeptos do Simbolismo, não basta sentir as emoções, mas é necessário levar em conta também a sua dimensão cognitiva. Esta é a real postura poética, segundo seus seguidores. Este movimento se reveste igualmente de um marcante subjetivismo, ou seja, de um teor individualista, em detrimento da visão geral dos fatos. A musicalidade é um de seus atributos que mais se destaca; assim, os simbolistas usam ferramentas como a aliteração e a assonância. Além disso, o Simbolismo revela-se um movimento de caráter transcendental, sempre resvalando para a imaginação e a fantasia, privilegiando a intuição para interpretar os dados do real, desprezando a razão ou a lógica.

Os sonhos são para os discípulos do Simbolismo ferramentas fundamentais para compreender experiências ancestrais do homem, em épocas nas quais prevaleciam sensações caóticas e anárquicas, que hoje são relembradas pelo sujeito apenas em suas experiências oníricas ou nas sessões psicanalíticas. Esta escola é essencialmente literária, pois realiza no âmbito da Literatura uma completa renovação.

Sem o Romantismo, com sua oposição ao uso desmedido da Razão, o Simbolismo não existiria, pois ele se apropria dos princípios românticos e os aprofunda de tal forma que nem o romântico mais contagiado pelas raízes desta Escola o faria.

Procurando acentuar as peculiaridades que demarcaram a estética simbolista no que concerne aos aspectos temáticos e formais, vejamos: * Subjetivismo aprofundado – Em repúdio ao cientificismo anteriormente cultuado, o Simbolismo prioriza a objetividade representada pela arte. Para tanto, assim como anteriormente mencionado, privilegia o seu mundo interior, buscando no seu íntimo as razões para o seu próprio “eu”. * Conhecimento ilógico e intuitivo – Representado pelo desejo de explorar tudo aquilo que ultrapassa as camadas superficiais da subjetividade, o artista faz com que a intuição seja posta em primeiro plano, por achar que a essência da poesia reside em um outro lado de nossa existência – o da obscuridade. * Concepção mística do mundo – Pelo fato de recusarem a razão, os simbolistas se voltam para a fé numa espécie de misticismo difuso, embora enraizado na crença cristã. Idealizam um mundo que se diverge do real, atingível somente por meio da beleza pura. Como fator resultante de tal concepção, temos uma poesia envolta por um clima de fluidez e mistério. * Linguagem evocativa – O movimento simbolista, mostrando-se contrário à razão, opta por evocar, sugerir, as profundezas inconscientes. A linguagem se materializa por meio da sugestão dos conteúdos em detrimento à descrição propriamente dita destes e, de modo a satisfazer tal pretensão, estabelece relações com a música e a pintura por intermédio da alusão às cores e sons. Constata-se também o emprego de recursos linguísticos representados pela metáfora e a sinestesia, na qual há uma fusão de elementos relacionados aos órgãos dos sentidos (paladar, olfato, visão, audição e tato). * Linguagem musical – A musicalidade revela uma característica marcante nas produções artísticas. Isso porque a palavra, destituída de uma logicidade, adquire força expressiva quando representada pela sonoridade. Desta feita, notamos outro recurso linguístico, caracterizado pelo uso de aliterações (figura que consiste na repetição de sons consonantais), como também a atribuição que se confere às vogais, manifestada pelo efeito sonoro entre o “i” e “u”(por retratarem um som fechado) como forma de representar um estado de alma por vezes melancólico.

Os simbolistas percorrem, assim, caminhos mais ousados e irracionais, recorrendo ao uso extremo dos símbolos e do misticismo, empreendendo rumo ao inconsciente uma jornada além dos limites extremos da razão, um mergulho nos recantos mais ocultos do inconsciente.

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