29 de dez. de 2011

Contexto

Realismo - Uma temática voltada para o social
Aguçando nossa percepção rumo ao conhecimento acerca de mais um estilo de época, que perfizeram o cenário da Literatura Brasileira, compreenderemos, antes de tudo, que a segunda metade do século XIX foi o marco decisório para a implementação de toda uma corrente ideológica determinante nas produções artísticas da era em pauta. A Revolução Industrial, já em sua segunda fase, abriu caminhos para uma concepção humana: a estreita relação estabelecida entre o ser humano e a sociedade na qual se insere. Era notoriamente contrária à concepção romântica, cujo pressuposto voltava-se para a interiorização humana, levando-se em consideração seus aspectos subjetivos.
Os avanços técnicos oriundos da Revolução resultaram, dentre outros fatores, no crescimento demográfico e, consequentemente, na “proliferação” de inúmeros problemas sociais, visto que tal classe contrapunha-se aos privilégios da burguesia, que desfrutava cada vez mais da ascensão econômica. Concomitante a isso, efervesciam as teorias científicas, nas quais a razão e a objetividade eram postas em primeiro plano, já não mais havia espaço para o sobrenatural ou a vontade subjetiva. A ciência, baseada em fatos concretos e experimentais, parecia revelar a explicação para todas as questões relacionadas ao cotidiano. Dentre tais correntes científicas emergiam importantes figuras, tais como: Augusto Comte (1789-1857) e sua teoria condicionada ao Positivismo, cuja concepção se voltava para a constatação real e observação dos fatos por meio do experimentalismo. Comte acreditava que a finalidade do saber científico era a previsão – “saber para poder”-, como também expunha sua concepção de que uma organização que fosse formada pelos interesses coletivos poderia neutralizar os motivos de guerra e discórdia entre as nações. Não deixando de mencionar Taine (1828-1893), que aplicou o método experimental ao comportamento do ser humano, sendo este considerado como produto da raça, do meio e do momento (contexto histórico), ora caracterizado pelo Determinismo. Charles Darwin com sua teoria evolucionista que enfatiza a competição entre as espécies, em que os organismos mais fracos tendem a ser eliminados pelos mais fortes e aptos. E, finalmente, tem-se o Marxismo, representado por Karl Marx e Friedrich Engels, que propunham uma revolução que instaurasse o comunismo em detrimento ao sistema capitalista. Mediante toda essa enumeração de fatos, resta-nos crer que a literatura não ficou aquém destes, uma vez que seus representantes partiram do pressuposto de que o indivíduo não se desvincula do meio em que vive. Sendo assim, os personagens realistas, em oposição aos românticos, são retratados segundo sua relação com o mundo que os cerca, convivendo em meio aos problemas cotidianos e rotineiros. Portanto, caracterizados conforme seu modo de ser e agir (alguns bons, corajosos, outros maus, covardes, e assim por diante). De modo a efetivarmos nossos conhecimentos em toda a sua plenitude, enfatizaremos sobre as características, os pressupostos ideológicos que nortearam toda a temática da era realista.
- Surgiu a partir da segunda metade do século XIX. - As ideias do Liberalismo e Democracia ganham mais espaço. - As ciências evoluem e os métodos de experimentação e observação da realidade passam a ser vistos como os únicos capazes de explicar o mundo físico. - Em 1870, iniciam-se os primeiros sintomas da agitação cultural, sobretudo nas academias de Recife, SP, Bahia e RJ, devido aos seus contatos frequentes com as grandes cidades europeias. - Houve também uma transformação no aspecto social com o surgimento da população urbana, a desigualdade econômica e o aparecimento do proletariado. O Realismo iniciou-se na França, em 1857, com a publicação de “Madame Bovary”, de Gustave Flaubert. No Brasil foi em 1881, com “Memórias Póstumas da Brás Cubas” de Machado de Assis e “O Mulato” de Aluísio Azevedo.

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